Léo Reisler
Pertence ao mistério ser conhecido.
Mas também pertence ao mistério
continuar mistério no conhecimento.
- É indispensável conhecer hebraico para estudar Cabala?
Não creio que seja, mas que ajuda muito, isso ajuda! O mesmo se aplica à leitura de outros textos tais como os Vedas e os Sutras budistas, escritos em sânscrito ou em pali. Há traduções maravilhosas, mas ler o original seria mesmo muito melhor. Infelizmente, não dá para fazer tudo. Pessoalmente prefiro deixar aos tradutores competentes esse trabalho e empregar o meu tempo estudando e, talvez, "sacando as coisas". Há um dicionário cabalístico em inglês que não resolve tudo mas ajuda muito: Godwin's Cabalistic Encyclopedia, publicado pela Llewellyn's Sourcebook Series, dos EUA. Sem contar com outras fontes tais como as traduções dos textos do Mar Morto e os textos gnósticos encontrados em Nag Hammadi, no Egito, em 1947, já disponíveis em inglês, desde 1987. William S. Gray, diz a propósito:
A Árvore não precisa ser colocada em hebraico, porque falará em qualquer língua.
-Quais e quantas são as "Escolas de Pensamento do Cabalismo"?
Conheço apenas as "escolas" antigas de Narbonne (França), Gerona (Espanha) e Safed - Sfed - (Palestina). Não estou considerando o aspecto da ortodoxia exotérica Hassídica como "escola" bem como a de certas evoluções do cabalismo não judaico. Imagino que deva ter havido um grande número de "grupos de estudo" com pouca ou nenhuma divulgação, responsáveis, quem sabe, por grandes desenvolvimentos do pensamento humano ocidental. Z'ev ben Shimon Halevi pensa o seguinte sobre isso:
Já foi dito que um grupo esotérico é um jardim-da-infância para os jovens, um refúgio para os fracos, um hospital para os doentes, e um ginásio para os fortes. Cada pessoa que se une a semelhante grupo possui todos estes quatro elementos em si mesmo, de modo que cada um trará para o grupo sua experiência de vida para ser partilhada. O que estabelece a diferença entre um grupo kabbalístico e uma reunião de altos ideais, é que aquele procura uma conexão prática com os planos superiores, para se tornar disponível a desempenhar qualquer Trabalho que seja necessário naquela época e naquele lugar. Tal operação passa desapercebida ao mundo. Um kabbalista trabalhando em assuntos raciais, ou na arte, ou na ciência, pode ajudar a alterar o curso da história introduzindo a dimensão espiritual em uma importante reunião de conselho, num livro original sobre psicologia, ou em uma invenção socialmente importante. Tais contribuições podem não ser grandiosas, mas assim trabalham muitas tradições espirituais.
- Os judeus mantêm escolas de Cabala?
Sim. Os livros do Dr. Philip S. Berg e de outros cabalistas são editados pelo The Research Center of Kabbalah, onde, acredito, deva haver um ensino sistemático. Pelo menos os livros que esse centro de pesquisa cabalística edita costumam ser muito bons. Ressalte-se aqui que muitos judeus, em lugar de estudar a Cabala, a encaram como uma espécie de bruxaria, capaz de criar monstros (Golem), do mesmo modo como muitos cristãos se referem, lamentavelmente, ao Candomblé. É uma pena que a superstição cause tantos danos às pessoas e seus semelhantes. No Brihadaranyaka Upanishad indiano consta que: Aquele que venera uma outra divindade que não seja a sua própria, pensando "Ele é um, eu sou outro", nada sabe.
Ainda a propósito de Golems, observo que nós, constantemente, criamos personagens horríveis. As nossas criaturas costumam ser muito mais feias do que o Golem judeu, do que o monstro do Dr. Frankenstein. Se você não acredita, é só olhar ao redor prestando atenção (um grande exercício de Cabala), que você enxergará vários desses monstros no escritório, em famílias conhecidas, e, cuidado, até entre as suas quatro paredes... São criaturas, coitadas, feitas geralmente só de barro, que não enxergam, não escutam e, mais grave, não amam. Uma extraordinária imagem dessas criações está no maravilhoso livro de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray. Seguindo o roteiro do livro, ou do filme, tem-se uma das fórmulas de criar um Golem. Basta viver exclusivamente em função do deslumbre pela matéria e você também poderá criar um; vivenciando um óptimo exemplo de "magia negra". É só viver o ritual da sua vida às avessas e, pronto! Está criado o seu monstro particular. Mas chamar alguém mais sábio e culto de mago no mau sentido é uma mania mundial. Os chineses também viam os seus monges taoístas como magos ou bruxos, dependendo de quanto eram crédulos e confusos em decorrência da sua educação. Bastava (ou ainda basta:) ter algum conhecimento menos formal e saber usá-lo, mesmo sem o conhecimento do real significado dos seus actos, para levar a alcunha de bruxo ou mago. Merecida ou imerecidamente... Os monges taoístas bem como os monges zen, grandes humoristas, divertiam-se muito com isto. Eles realmente eram sábios!
Aliás, Karen Armstrong coloca muito bem o seguinte:
Vimos que o místico era muitas vezes visto como uma disciplina esotérica, não porque os místicos quisessem excluir o rebanho vulgar, mas porque estas verdades apenas poderiam ser percebidas pela parte intuitiva da mente após treinamento especial.
O que, de forma alguma, coloca o místico como verdadeiramente esotérico. Esotérico, como já vimos, quer dizer em grego "o que está oculto", e apenas está oculto porque você ainda não sabe ou não estudou. E estudar, às vezes - sobretudo no Brasil -, parece ser um "treinamento especial". Que pena, não é mesmo?
- O que representa na doutrina cabalista a Sheshinah?
Significa, basicamente, a habitação. O quarto mandamento diz: "Santificarás o dia do Shabath", um dia em cada 7 em que deveria haver a sua união com Deus. Na cerimónia do Shabath estaria presente o espírito da Sheshinah, a presença "feminina" de Deus. Poder-se-ia dizer que ela equivale a Nossa Senhora, no rito cristão; Amaterassu-o-Kami, no rito xintô; e Shiva ou Kali, no vedanta. Sempre a vontade feminina da geração e extermínio:
(...) fazendo uma longa prece a Kali, a estranha deusa que bate e que consola, aquela que acaricia e devora. (Mahabharata)
É a sefira Malkuth (o Reino)!
- O que é Cabala Prática?
Também, a meu ver, deveria ser aquela empregada para terapia social e individual e não em rituais absurdos como os engendrados por S. L. MacGregor Mathers e Aleister Crowley para a Sociedade da Aurora Dourada nos estertores do século passado e início deste. Diz Frances King:
Mathers julgava-se ser a reincarnação do Rei James IV, o rei Mago dos Escoceses... e andava de bicicleta por Paris vestido com o uniforme escocês completo.
E ainda sobre isso, Z'ev ben Shimon Halevi diz:
Cabala prática é uma forma de lidar com o diabólico. É uma forma de magia, a perigosa arte de obter poder sobre o Mundo psicológico (Yetzirático) através do uso de símbolos; mas alguns rabinos consideram esse uso legítimo se empregado escrupulosamente. No decorrer do tempo tais práticas tornaram-se corruptas e deram à Cabala uma reputação duvidosa. A validade de tais técnicas permanece, porém, em que certos exercícios podem trazer profundas modificações na consciência e remover problemas psicológicos que em épocas antigas eram vistos como uma intrusão do demónio.
Substituindo-se "diabólico" por ego, temos nesse texto uma descrição de psicoterapia, inclusive quanto às advertências para um comportamento ético denominado Cabala e originado com Moisés ou Abraão, há pelo menos 3.200 anos. Diria mais. O propósito da Cabala é o de desobstruir a nossa mente dos parâmetros da lógica e da razão a fim de que possamos ultrapassar os limites determinados pelos nossos sentidos. Quando sonhamos, fazemos este exercício. Quando meditamos competentemente, também. Empregando-se hipnose podemos nos libertar da consciência e literalmente viajar sem tempo e espaço. Vejamos o que diz esse texto encontrado na Hermética, traduzido do grego e do latim por Sir Walter Scott:
"E o incorpóreo não pode ser encerrado por nada; mas pode em si, encerrar todas as coisas; é a mais rápida de todas as coisas; e você verá que é assim. Peça à sua alma que viaje a qualquer região que escolher, e assim que você tiver pedido para ir, lá ela estará. Peça que passe de uma terra para o oceano, e lá estará não menos rapidamente; ela não se moveu como nos movemos de um lugar para outro; mas está lá. Peça que voe para o céu, e ela não terá necessidade de asas; nada poderá barrar o seu caminho, nem o forte calor do sol, nem o rodopiar das esferas - planetas; rompendo o seu caminho através de tudo, ela ira voar até que alcance o mais externo de todas as coisas corpóreas."
Isto é, viajar livremente, observando cuidadosamente o universo como uma forma plena de informações capaz de nos elevar física e psiquicamente. Jacob teve 12 filhos a quem abençoou. Se observarmos atentamente o céu veremos os doze símbolos do Zodíaco que os representam. Abrindo a nossa mente, poderemos receber essas mesmas bênçãos sob forma de compreensão ou, talvez, de sabedoria. Em decorrência, revela-se energia (ki)*, poder verdadeiro e paz de espírito.
(*) Correspondente ao famoso KI oriental, que permeia o universo, a nossa vida e que desavisadamente desaprendemos a usar na nossa evolução ocidental. A prática de qualquer DO (caminho) oriental costuma ter como premissa básica o desenvolvimento do KI.
Com muita propriedade, Alberto Lyra diz:
Uma das finalidades da Qabalah é a compreensão total do universo, primeiramente através do lógico. Ao querer superar as incongruências e contradições, o estudante e o exegeta da Qabalah são levados a tal esforço mental, que ultrapassam as barreiras lógicas e vão atingir o inconsciente profundo, alcançando a experiência transpessoal, trans-humana, ou até, cósmica. E o processo análogo ao do Budismo Zen, em que o praticante, ao concentrar-se na significação do absurdo, como seja bater palmas com uma só mão, termina por alcançar Satori.
Lyra refere-se neste final, ao koan Zen, propiciado pelo mestre ao aluno, deixando este último perplexo, de maneira que se liberte da dualidade sim/não. Em Cabala seria deixar de lado as colunas laterais (Árvore do Bem e do Mal) para integrar-se à coluna central (Árvore da Vida), sem medo dos Querubins postados à entrada do Éden. Eles estão lá apenas para assustar, tal qual as figuras da carta da Lua dos arcanos maiores do Tarot. Para correr o risco, torna-se necessário libertar-se da "casca" de ideias pré-concebidas, de dogmas e padrões sociais limitadores. Perder a couraça e correr os riscos pela liberdade para crescer.
Lyra diz ainda mais:
O estudo e a aplicação do Tarot, em relação à Árvore Sefirótica, pode auxiliar muito o estudante.
O uso do Tarot está para a Cabala assim como em informática o uso do Windows está para alguns programas. No computador, o Windows ajuda muito ainda que, às vezes, seja lento e limitador.
O uso constante e contínuo do conhecimento de Cabala permite um sensível desenvolvimento da criatividade, por ser, sem dúvida, uma ferramenta de ligação com o inconsciente. Quem lida com as chamadas actividades criativas terá nela uma fonte inesgotável de inspiração. Mas não necessariamente com rituais fantásticos.
Diz Milarepa, o santo iogue indiano:
"As visões das formas das Divindades sobre as quais meditamos são apenas os sinais que acompanham a perseverança na meditação. Não têm valor intrínseco em si mesmas. [...]
Consegui transformar meus inimigos em afectuosos amigos; portanto, não preciso de preces ou de oferendas expiatórias. Não preciso também de exorcismos ou ritos propiciatórios contra qualquer demónio; transformei os maus augúrios e os maus pressentimentos em Divindades Guardiãs da Fé (isto é, nas Realizações da Verdade, nascidas da vida religiosa) [...]
Cabala também não está para fantasias como as atribuídas a John Dee e Edward Kelley, dois ingleses do século XIX - possivelmente praticantes da Cabala Mágica -, que tentavam "acordar" os mortos.
Sobre este assunto fala também Marie Louise von Franz, no seu livro Os Sonhos e a Morte:
Pois agora sabemos que no inconsciente há um "conhecimento", que Jung denominou "conhecimento absoluto". Isto é, o inconsciente pode conhecer as coisas que não podemos conhecer conscientemente, de forma que todas as provas ou declarações de identidade dos "espíritos" nas sessões mediúnicas poderiam igualmente ser explicadas como manifestações do inconsciente grupal dos participantes, e não como comunicações genuínas dos mortos. Só os fenómenos de materialização é que não seriam directamente afectados por esse argumento. Não obstante, "acredito" que os mortos ocasionalmente se manifestem em eventos parapsicológicos, embora isso no momento não me pareça poder ser provado de modo inequívoco.
- A numerologia actual tem alguma fundamentação cabalística?
Leibnitz*, sem dúvida um cabalista, deve ter "sacado" o cálculo infinitesimal pela Cabala, com o auxílio do Tzeruf, do Notarikon, da Guematria, e da Temurah.** Para praticar a numerologia adequadamente, qualquer "numerólogo" deveria conhecê-los a fundo e isso não é o que acontece. De forma geral, há um enorme engano com relação à numerologia, quando não um engodo.
- Quem ou, o que é Delis cabalisticamente falando, e segundo qual "escola"?
Particularmente, eu prefiro a forma abaixo que não pertence a nenhuma escola:
E disse Deus a Moisés na montanha: "Eu sou aquele que e" (EHEIH).
Ou então:
O verdadeiro Tao é aquele que não pode ser explicado.
Em seu Sete Sermões aos Mortos, C. J. Jung coloca, no primeiro sermão:
[...] porque o eterno é desprovido de qualidades.
Gosto muito da história que Karen Armstrong conta em um de seus livros:
[...] mesmo em Auschwitz alguns judeus continuaram a estudar o Talmud e a observar os festivais tradicionais, não porque eles esperavam que Deus os salvasse mas porque fazia sentido. Há a história de que um dia em Auschwitz, um grupo de judeus submeteu Deus a um julgamento. Eles o acusaram de crueldade e traição. Como Job, eles não encontraram consolo nas habituais respostas ao problema do diabólico e do sofrimento em meio a essa actual obscenidade. Eles não conseguiram encontrar nenhuma desculpa, nenhuma circunstância atenuante, e consideraram-No culpado e, presumivelmente, condenável à morte. O Rabino pronunciou o veredicto. E então ele olhou para cima e disse que o julgamento havia terminado: estava na hora da prece nocturna.
Seria também interessante que ao invés de constantemente estarmos tentando preocupa-Lo connosco, que nós nos preocupássemos um pouco com Ele... Pergunto-me: que resultado nós obteríamos desta inversão menos egóica? Apenas a título de exemplo diria que poluiríamos menos a natureza, amaríamos mais e melhor aos outros, veríamos a vida com outros olhos e... Estudaríamos Cabala com mais afinco e menos delírios semelhantes aos de John Dee!
- E os anjos e arcanjos, como são conceituados em Cabala?
Os anjos pertencem à Cabala de Ar, "Vau" da palavra Jeová (YHWH), e os arcanjos à Cabala de Água, o primeiro "Heh" da mesma palavra. São dez anjos, com as suas hostes celestiais, e dez arcanjos; cada um deles correspondendo a um dos 10 estágios (sefiras) das suas respectivas cabalas (AR- anjos e ÁGUA - arcanjos). Em linguagem mais moderna (junguiana) esses níveis correspondem respectivamente ao da nossa consciência pessoal (anjos) e ao do inconsciente individual (arcanjos). Poderíamos chamar esse último de "a nossa forma essencial", aquela que faz a máquina, o nosso robô, andar, ainda que essa máquina seja burra e teimosa... Para viver com saúde deveríamos ouvir atentamente essa nossa "forma essencial". Quando a contrariamos, ficamos doentes. Somatizamos!
(*) Gottfried Wilhelm Leibnitz (1646 - 1716). Dividiu com Isaac Newton a descoberta do cálculo infinitesimal (1648).
(**) Tzeruf combinação de um mesmo grupo de letras, a fim de formar com elas, novas palavras de sentido diferente, particularmente para fins místicos; Notarikon -permite considerar a palavra como se fosse contraída de várias outras, segundo alusão contida nas letras isoladas que a compõem, e que passam a ser consideradas como iniciais das outras palavras a que supostamente aludem; Guematria - consiste na comutação de urna palavra em outra, de significado diverso, porém de mesmo valor numérico, em face do valor aritmético adicionalmente atribuído a cada letra; Temurah - operação pela qual se comuta uma palavra em outra, também de significado diferente, mediante a substituição de suas letras por outras, de acordo com regras convencionalmente preestabelecidas.
Lembro apenas que os Devas (anjos) indianos não têm asas; pertencem a outra cultura onde os indivíduos não sonham ou deliram com entidades aladas.
- É verdade que a Cabala fala em 4 mundos e em 4 "Adãos"?
Sim.
1. O homem vive no mundo da manifestação (terra), ou seja, na matéria, chamado originalmente em hebraico de Assiah (Olamha-Assiah, OShYH - 385), onde tudo acontece.
Existem, ainda mais 3 mundos não visíveis, além da matéria (terra), mas que são sentidos por todos nós.
2. A consciência, ou o mundo da formação (ar), Yetsirah (YTZYRH-315), mundo através do qual comandamos a matéria.
3. O inconsciente individual (água) ou o mundo da criação chamado de Briah (BRYAH-218).
4. O inconsciente colectivo (fogo) em cada um de nós, ou o mundo da formação ou do arquétipo chamado de Atziluth (ATZYLWTh 537).
Todo ser humano teria em si esses quatro níveis ou talvez os quatro "Adãos" puros e perfeitos. Esses quatro mundos interligam-se formando, quando simbolicamente encaixados um sobre o outro, a Escada de Jacob, através da qual podemos compreender os processos psicológicos e iniciáticos da evolução do indivíduo no decorrer de sua vida.
- O ser humano, do ponto de vista cabalístico, foi criado à imagem e semelhança de seu Criador ou de Adão Kadmon?
O Adão Kadmon seria o homem puro e perfeito criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, imagina-se, teria Joshua (YHWShO - 391), ou Jesus, respondido, quando perguntado se era filho de Deus: "Meu nome é Joshua ben Adam (Jesus filho de Adão)". E, neste caso, de Adam Qadmon (ÀDM QDMWN -1455, 895, 245).
E continua mais adiante:
A Mitologia celeste do Livro da Criação tornou-se a história genética da terra.
Bem hajam na luz e com a Luz.
