O canforeiro (Cinnamomum camphora (L.) J. Presl; sin: Laurus camphora L.) é uma árvore pertencente à família Lauraceae e ao género Cinnamomum, o mesmo da árvore que produz a canela. Esta árvore é nativa de algumas regiões do Extremo Oriente, particularmente do Taiwan, do Japão e da China meridional.
Esta árvore é a origem da cetona conhecida como cânfora (C10H16O), uma substância branca, cristalina, com um forte odor característico e obtida a partir da seiva. A extracção é feita pela oxidação do pineno (parte principal da essencia de terebentina). É uma combinação acíclica. Apresenta-se em grandes massas brancas, grano-cristalinas, translúcidas de cheiro particular penetrante e de um sabor um tanto amargo. É pouco solúvel na água, dissolvendo-se facilmente no álcool, éter e demais solventes orgânicos. Volatiliza-se desde a temperatura comum. É usada na fabricação de celulóide e de pólvora sem fumaça.
Conhecida desde a antiguidade, a cânfora é utilizada como incenso e no preparo de medicamentos.
Diz-se que seu cheiro é inibidor de aranhas e traças. Para tanto, é recomendável a diluição em álcool para o seu borrifamento nas paredes e armários.
Princípios ativos: Terpenos (alfa-pineno, nopineno, canfeno, dipenteno, cariofileno, cadineno, bisaboleno, canfazuleno, etc.), álcoois (borneol, linalol, alfa-terpinol, etc.), cetonas (cânfora, piperitona), óxidos (cineol, etc.)
Utilizações e efeitos da CânforaA Cânfora tem várias utilizações na industria, podendo ser utilizada em:
- Livros e Cadernos - como replente de insectos.
- Tintas e Venizes - como solvente.
- Sabão; Sabonetes; Cosméticos e desodorizantes - para disfarçar o cheiro de certos ingredientes.
- Farmacologia - anti-séptico; estimulente cerebral; exprectorante; estimulante cardio-vascular; anti-parasitante (sistema gastro-intestinal).
- A Cânfora é um metabólito secundário, que nas plantas, tem um efeito aleopático, isto é, inibe o crescimento e o desenvolvimento das plantas vizinhas.
- Em 1980 a FDA (Food and Drug Administration - EUA) estabeleceu o limite de 11 % de cânfora nos produtos alimentares, e proíbiu os chamados óleos de cânfora, isto devido ao
risco de envenenamento, que pode ser precedido de disturbios mentais, irritabilidade, hiperactividade neuro-muscular e movimentos desconexos das extermidades, os sintomas aparecem ao fim de 5 - 90 minutos depois da ingestão, dependendo da quantidade ingerida e do peso da pessoa.
Considerando que a literatura ressalta o risco de toxicidade de preparações contendo altas concentrações de cânfora(2,4,6);
Considerando que o uso tópico da cânfora em concentrações que excedam 3% apresenta efeito de analgesia(3);
Considerando que um Painel Técnico do FDA recomendou a concentração máxima de 2,5% para produtos de uso externo contendo cânfora(5);
Considerando a hepatotoxicidade apresentada pela cânfora quando aplicada topicamente em bebês(1);
Considerando que a dose letal da cânfora, via oral, para crianças é de 1 grama e que, em adultos, 2 gramas evidenciam sintomas de toxicidade(6);
Considerando que a cânfora atravessa a barreira placentária, provocando efeitos embriotóxicos e abortivos(7);
Considerando que a cânfora é utilizada em esmaltes de unha como plastificante para éteres e ésteres de celulose(

;
Considerando o exposto, a CATEC-Câmara Técnica de Cosméticos recomenda e a Gerência-Geral de Cosméticos determina:
1) estabelecer a concentração máxima de 4% de cânfora em esmaltes para unhas, mantendo-se sua classificação como Grau de risco I;
2) estabelecer a concentração máxima de 2,5% de cânfora para os demais produtos cosméticos e classificá-los, para fins de registro, como Grau de risco II;
3) proibir o uso de cânfora em produtos para crianças com idade inferior a 2 anos;
4) na rotulagem dos produtos cosméticos contendo cânfora, deverá constar obrigatoriamente:
a) manter fora do alcance de crianças
b) não aplicar sobre a pele irritada ou lesada
c) não utilizar durante a gravidez
Fontes:dq e anvisa
Cânfora pode causar convulsões em crianças, alertam pesquisadoresA cânfora é facilmente absorvida através da pele e das membranas mucosas
DO PEDIATRICS
O uso inadequado da cânfora, substância com forte odor aromático, pode causar convulsões em crianças pequenas, segundo pesquisadores da Universidade Yeshiva, nos Estados Unidos. De acordo com os especialistas, as crianças são mais vulneráveis aos efeitos tóxicos da cânfora, que é facilmente absorvida através da pele e das membranas mucosas.
Como resultado desses efeitos tóxicos, o governo dos Estados Unidos, desde 1982, limita o uso de cânfora em produtos para gripes e resfriados a menos de 11% da fórmula e exige que produtos contendo cânfora sejam regulados pela FDA - órgão que controla alimentos e medicamentos no país.
Na edição de maio da revista Pediatrics, os pesquisadores apresentam três casos de convulsões associadas à cânfora em crianças atendidas no departamento de emergência do Children's Hospital, em Nova York, em um período de duas semanas. Em dois deles, as crianças - uma de 15 meses e outra de quase dois anos - ingeriram produtos com cânfora. E, no outro, uma criança de três anos foi exposta a produtos espalhados pela casa para controle de insetos e a uma pomada passada na pele a cada hora por dez horas.
Todas as três receberam tratamento medicamentoso para encerrar as crises convulsivas, e seus pais foram avisados para não usarem mais produtos que contenham a substância. Após acompanhamento feito dez semanas depois, as crianças estavam livres das convulsões.
"Esses casos destacam a toxidade associada ao uso de cânfora na comunidade e que o uso inapropriado de produtos de cânfora vendidos ilegalmente é uma importante questão de saúde pública", disseram os pesquisadores. "São necessários esforços para educar a comunidade sobre os perigos do uso de produtos de cânfora e para limitar a disponibilidade ilegal desses produtos", concluíram.
Fonte:Midia News