Dossier com duas mil páginas entregue ao casal
McCann com acesso a pistas secretas
"Era a Maddie. Não tenho dúvidas". As declarações pertencem a Taryn Dryfhout, empregada de um supermercado na Nova Zelândia que em Dezembro de 2007, sete meses após o desaparecimento de Madeleine McCann em Portugal, afirmou às autoridades ter "a certeza absoluta" que tinha visto a menina britânica. As imagens, mantidas secretas pela polícia portuguesa, que não as considerou relevantes, chegaram agora às mãos do casal McCann, num dossier com duas mil páginas que contém outras pistas não investigadas.
Esta quarta-feira, vários jornais, entre os quais os britânicos 'The Sun' e o 'Daily Mail', publicam imagens com uma criança parecida com Maddie e garantem que fazem parte de um conjunto de pistas, com testemunhos de avistamentos em Portugal, França, Espanha, Estados Unidos, África e Nova Zelândia, que as autoridades portuguesas nunca terão investigado.
Clarence Mitchell, porta-voz do casal McCann, afirmou que Kate e Gerry estão 'chocados e aborrecidos' com o facto de as pistas só agora terem sido tornadas públicas, 18 meses após o arquivamento do processo, e lamentam que nunca tenham sido consideradas credíveis.
'É muito frustrante que a fotografia que os jornais mostram hoje date de Dezembro de 2007 e só tenha saído agora', referiu à agência Lusa.
UMA DAS IMAGENS ENTREGUES À PJ DE PORTIMÃO, ENCARREGUE DA INVESTIGAÇÃO, QUE A CONSIDEROU IRRELEVANTE
PROCESSO INTERPOSTO PELA IMPRENSA
De acordo com o 'Daily Mail', o casal McCann conseguiu o acesso a uma cópia do documento com ordem de um Tribunal português, após um processo interposto pela imprensa depois de ter sido dada a conhecer a existência da informação durante o julgamento que suspendeu o livro do ex-inspector da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, responsável pela investigação do desaparecimento.
No livro, recorde-se, é relatada a tese de que Gerry e Kate estariam alegadamente envolvidos na morte de Madeleine.
À pista hoje revelada, juntam-se as declarações da testemunha aos media neozelandeses. A empregada do supermercado garante que a menina das imagens era 'igual' a Maddie e que falava com um sotaque britânico acentuado.
'Ela disse-me que se chamava Hayley. Parecia muito apreensiva e confusa enquanto tentava lembrar-se do seu nome. Estava muito tímida e com medo', referiu Taryn Dryfhout.
A testemunha acrescentou ainda que os adultos que a acompanhavam tinham atitudes 'suspeitas' e evitavam que a menina falasse.
A uma estação de TV da Nova Zelândia, a mulher afirmou peremptoriamente: 'Tenho a certeza que era ela. Não tenho quaisquer dúvidas na minha cabeça'.
OUTRAS PISTAS DESCARTADAS
- Um cidadão britânico disse às autoridades ter visto uma menina ser arrastada ao longo do aeroporto na noite do desaparecimento de Madeleine. A denúncia não foi feita de imediato uma vez que a testemunha era procurada por fraude;
- Uma menina muito parecida com Maddie foi avistada junto a um hispânico, com cerca de 30 anos, numa loja em Múrcia, Espanha. A testemunha seguiu-os, mas acabou por lhes perder o rasto;
- Outra criança, vestindo apenas um casaco sujo amarelo, foi vista com homens armados numa estrada francesa. O camionista que fez a queixa aproximou-se e foi ameaçado com uma arma;
- Imagens de pedofilia na Internet foram descobertas por uma detective francesa que afirmou que as fotos que mostravam abusos sexuais envolviam Maddie;
- Uma escocesa afirmou às autoridades ter visto com um casal de etnia cigana uma criança muito semelhante à menina britânica;
- Em Outubro de 2009 um português residente nos EUA tinha consigo uma menor descrita à polícia como sendo Madeleine. O homem arrastava a menina durante uma operação contra o tráfico de crianças.
Fonte:CM