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Templa
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« em: Agosto 27, 2009, 10:28:47 » |
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No Porto, que eu tenha ouvido dizer, há, no mínimo, 4 casas assombradas, sem contar com uma onde uma amiga morou, um andar, o último, num prédio construído num terreno outrora ligado a freiras, na Rua do Monte dos Burgos. A minha amiga já o vendeu, mas já está outra vez vazio. É um apartamento que apaixona pelo aspecto, mas em que, passos no corredor, arrebiques de candeeiros a mexer etc., logo deixam os moradores com a pulga atrás da orelha e vontade de irem embora dali. Depois dessa casa, há duas na Avenida da Boavista, próximas uma da outra, em duas esquinas diferentes, uma cor-de-rosa e outra branca, arredondada, com um grande caramanchão no jardim, janelas estropiadas etc. A Quinta do Covelo, ao que se diz, é outro dos sítios onde o paranormal já atacou, ou ainda ataca, bem como a da Rua Nossa Senhora de Fátima, onde existe uma palmeira que os construtores do novo edifício lá deixaram para lhe dar nome. Finalmente, há uma outra na Rua da Cruz. Eu até ouvi contar que os taxistas, cuja praça era frente à casa, tiveram de recuar, porque às vezes choviam pedras durante a noite sem ninguém saber a sua proveniência. Eu tive um amigo jornalista que gostava muito destas questões e um dia, como também gosto muito de escrever, mais ou menos a brincar, combinámos fazer uma investigação às casas assombradas da cidade, para depois escrever-mos qualquer coisa sobre o assunto, mediante o que tivéssemos presenciado no nosso périplo. Nunca chegámos a fazer isso, embora abordássemos várias vezes o tema. Até que um dia, um de nós, entre o crédulo e o incrédulo sobre a existência de fantasmas, ou não, espíritos e afins, combinámos que o primeiro a morrer iria avisar o outro. Quando ele teve uma trombose e baixou ao hospital, como o sítio onde eu trabalhava era perto, ao fim da tarde, ia lá dar-lhe o jantar. Partia-lhe a carne, tirava-lhe as espinhas ao peixe, enfim, fazia as coisas que ele não podia só com uma mão, neste caso a esquerda, uma vez que a direita estava paralisada. Escusado será dizer que, se a nossa amizade já era bonita, a partir daí ficou muito mais profunda, como eu digo, até à eternidade. Ele recuperou e, cerca de dois anos depois, um dia telefona-me, porque tem um presente para mim… Enfim, foi lá, deu-me um pequeno passepartôt (?) e deu-me um abraço que, mais do que um abraço, parecia trazer dentro a alma… Deixámos de nos ver uns dois ou três anos. Entretanto, eu mudei de cidade. Até que no dia 5 de Maio de 1998, estava sentada no meu gabinete de trabalho, que tinha a seguinte disposição: 1 – Do meu lado direito, havia uma parede grossa e uma janela de cerca de 80 cm de largura, por 60/70 de fundo, janela nascida mesmo encostada à parede situada atrás de mim, e que abria para o local onde eu me sentava, sem a luz incidir muito na secretária. Quer dizer, se projectássemos do exterior um foco de luz na horizontal, a luz só me atingiria a mim. E, mesmo que usássemos o foco obliquamente, a partir do lado da janela agarrado à parede atrás de mim, a grossura da parede impedia-o igualmente de chegar ao centro da secretária.
2 – A minha frente havia outra parede e, no final dessa parede, numa outra parede…,
3 – …, nascia uma nova porta, numa noutra parede, porta essa vinda de uma sala interior e que abria para dentro do gabinete.
4 – Finalmente, a quarta parede, a que ficava atrás de mim, tinha no topo, do meu lado esquerdo, uma outra porta, que abria igualmente para o interior do meu gabinete.
Pois, digo, nesse dia 5 de Maio de 1998, estando eu embrenhada o mais possível no trabalho, de repente, em frente a mim, da secretária, encostado a porta-canetas, vejo emergir assim do nada uma (tenho sempre dificuldade em definir isto) pequenina luz dourada, que se eleva no ar, até um pouco acima da minha cabeça e em frente a mim, faz depois uma curva para a esquerda, sempre lá no alto, sigo-a com os olhos e a cabeça um pouco levantada, até que depois se dissipa tão subtilmente como nasceu…
Julguei que era uma abelha silenciosa que se tinha despenhado no chão e procurei-a durante um pouco, até que, por fim, não encontrando nada, depois de olhar para o exterior e de não ver lá nada nem ninguém, disse com os meus botões: - Ó!!!... Ilusão de óptica e vi as horas: 11:11.
No dia seguinte, por volta das cinco da tarde, liga-me um amigo que me diz:
- Vim agora do funeral do nosso amigo P.
Só então eu soube que tinha visto emanação do espírito do meu amigo e que ele não se esqueceu da promessa, coisa que eu já tinha feito. Hoje penso que, sabendo da nova doença (cancro) se foi despedir de mim, sem nada me dizer.
Por isso, aquele abraço….
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