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  Tópico: Família McCann: rumores sobre ritual Illuminati e ligações à maçonaria (15911 visualizações) Dezembro 15, 2010, 19:05:16
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» em: Dezembro 15, 2010, 19:05:16

Já tinha lido essa cena, e acrescento que na minha opinião foi mesmo um ritual... Não sei se maçónico se outro tipo, mas quase sem dúvida um ritual, vejamos... Os pais da Maddie têm ancestrais irlandeses/celtas, o dia em que supostamente Maddie foi morta? 3 de Maio, aqui verificamos talvez uma conexão a Beltane, um festival celta durante o qual era comum sacrificar crianças ou animais em honra de deidades. Beltane é celebrado entre 1 de Maio e 6 de Maio normalmente. O local é importante, Praia da Luz, simbolizando uma ámalgama entre luz e água, dois dos elementos fundamentais em qualquer ritual. O diminutivo Maddie, também poderá ser analisado assim - Mad Die (Louca Morre).
Há também uma curiosidade relativamente a este ritual... Os sacrifícios a Beltane eram feitos através duma bebida que se dava á pessoa sacrificada, essa bebida chama-se "Madbh", segundo relatos dos próprios pais, eles tinham "dado" um qualquer relaxante à filha para ela adormecer mais depressa.

Tudo muito estranho, mas eu costumo dizer que não existem coincidências, existe apenas a ilusão da coincidência.

O que acham?




A haver ritual, não seria feito na Praia da Luz, mas sim em pleno Cabo de São Vicente, local onde há um culto anterior à fundação do Cristianismo.

O cabo de S. Vicente/Sagres (Algarve)

O cristianismo irá pois, muito frequentemente, (re)dedicar os cabos a cultos cristãos, reproduzindo assim a interpretatio de gregos e romanos.

Exemplo paradigmático é o do cabo algarvio de São Vicente, o Hieron Akroterion dos gregos ou o Promunturium Sacrum de Plínio, que Estrabão julgava erradamente ser o ponto mais ocidental da Europa e do Mundo. No séc. IV d. C., ao descrever o território dos Cinetes, diz-nos Avieno: "Então, lá onde declina a luz sideral, emerge altaneiro o cabo Cinético [Cyneticum iugum], ponto extremo da rica Europa, e entra pelas águas salgadas do Oceano povoado de monstros"; e acrescenta, referindo-se ao cabo de Sagres, frequentemente confundido na antiguidade com o de São Vicente: "Segue-se um promontório, que assusta pelos seus rochedos, também ele consagrado a Saturno [Saturni promunturium]. Ferve o mar encrespado e o litoral rochoso prolonga-se extensamente" (2, p. 23).

A presença de locais de culto mágico-religioso está registada no barlavento algarvio desde o Neolítico, provavelmente entre finais do VI milénio e inícios do V milénio a. C., com importantes núcleos de menires e de cromeleques de que se conhecem actualmente cerca de vinte jazidas arqueológicas e de que merece destaque o sítio da Caramujeira (Lagoa), onde se encontraram 25 pequenos menires, alguns deles claramente fálicos e decorados por bandas incisas, que talvez representem vulvas, enquanto outros apresentam vestígios de pintura vermelha. Também junto aos cabos de S. Vicente e de Sagres, em vários locais do concelho de Vila do Bispo, conhece-se uma das maiores concentrações de menires e recintos megalíticos da Europa: se a Carta Arqueológica do Concelho de Vila do Bispo, publicada em 1987 por Mário Varela Gomes e Carlos Tavares da Silva (6), enumerava 121 menires na região, já mais recentemente o investigador João Velhinho afirma ter cartografado 267 menires, considerando mesmo que o seu número terá sido antigamente muito superior (20).

Fenícios e cartagineses terão aqui cultuado, em São Vicente/Sagres, as entidades Melcart-Héracles e Baal-Cronos-Saturno. O culto a Melcart em locais costeiros era frequente entre os fenícios. Todavia, Blázquez Martínez (10) considera que os cultos registados em S. Vicente e Sagres seriam muito anteriores às primeiras viagens fenícias pelo mar mediterrâneo, enquanto García Quintela (13) propõe a hipótese de eles se terem desenvolvido em contexto indoeuropeu, talvez céltico, e recusa mesmo que alguma vez tenham sido púnicos.

Autores clássicos relatam-nos, desde o séc. IV a. C., cerimónias religiosas que envolviam libações e a proibição de se pernoitar no santuário, visto o local estar reservado aos deuses. Artemidoro, citado por Estrabão na sua "Geografia" (Livro III, Cap. I, 4-5), assevera que "não é permitido oferecer ali sacrifícios nem, à noite, sequer vistar o lugar, porque dizem as pessoas que os deuses o ocupam nessa altura"; por isso, os peregrinos que queriam venerá-lo "passam a noite numa povoação visinha e então vão aí durante o dia, levando água consigo, porque ali ela não existe"; e aí viu "pedras em vários lugares, agrupadas em número de três ou quatro, que de acordo com um costume local os visitantes fazem girar num sentido e, depois de oferecerem uma libação, movem outra vez". Saliente-se que Estrabão informa ter Artemidoro negado a existência no promontório de um templo ou altar dedicado a Hércules ou a qualquer outra divindade, e desmente a informação que nesse sentido dera Éforo. A crítica, porém, não é reconhecida pela investigação moderna: a informação de Éforo data do séc. IV a. C., enquanto Artemidoro visitou o local no séc. I a. C.; deste modo, o santuário mencionado pelo mais antigo dos dois autores poderia estar já destruído no tempo do segundo, ou não ter sido por ele reconhecido como santuário (no sentido de estrutura edificada, dado poder tratar-se apenas de um recinto sacralizado, ou témenos).

Para alguns investigadores estas pedras seriam bétilos, pedras sagradas em que se supunha existir vida divina, cultuados pelos povos fenícios e pelos antigos judeus: "E Jacob levantou-se cedo de manhã e tomou a pedra de que se servira como almofada, e colocou-a como uma coluna, e sobre ela derramou óleos. E chamou àquele lugar Betel; o nome daquela cidade, porém, era antigamente Luz" (Génesis, 28, 18-19). Suponho, todavia, que se tratará de uma referência aos pequenos menires de forma ovóide, inseridos num horizonte temporal pré-fenício, que ainda hoje podem ser observados na área e que atrás mencionei.

Esta antiquíssima tradição mágico-religiosa permanecia viva no local ainda nos finais do séc. XIX. Leite de Vasconcelos, que ali foi em 1894, diz que o povo chamava moledros ou meledros aos montículos formados por pequenas pedras, afirmando que "quando se leva do moledro uma pedra, e se deixa num sitio, ahi a pedra anoitece e não amanhece: i. é, vae-se de manhã ao sitio em que á noite se deixou a pedra, e esta já lá não está, e reapparece no moledro" (19, vol. II, p. 205).

Se o extremo sudoeste de Portugal foi sacralizado por populações pré-históricas e púnicas, continuou igualmente a sê-lo por populações cristãs e islâmicas. Martirizado no início do séc. IV, São Vicente foi objecto de um culto que rapidamente se espalhou por toda a Península. Após as invasões islamitas e para fugir às perseguições de Abderramão I, no séc. VIII, os restos mortais do diácono, supliciado na cidade espanhola de Valencia no ano de 304 d. C. de acordo com as lendas hagiográficas, foram para ali trasladados pelos cristãos valencianos (diz-se que arrastados pelo mar e acompanhados por corvos...), transformando o cabo - agora conhecido por Tarf al-Gharb, ou cabo do Ocidente - em local de peregrinações tanto cristãs como muçulmanas, associadas à misteriosa Igreja do Corvo ou Kanisat al-Gurab mencionada pelos cronistas árabes. O templo, talvez de origem tardo-romana ou visigótica, localizava-se no Cerro dos Mouros, próximo do Monte dos Amantes em Currais da Granja (Granja, Vila do Bispo), onde há vestígios de cromeleques e de uma povoação romana e em cujas imediações o topónimo Mesa da Marinha preserva claramente a memória de um dolmen cristianizado. No séc. XII, o geógrafo al-Idrisi (7, p. 223) menciona, na zona poente do cabo, esta Igreja do Corvo como fazendo parte de um convento de monges moçárabes, com uma pequena mesquita onde os muçulmanos iam em peregrinação; o conjunto foi arrasado, ainda em meados do séc. XII, por almorávidas.

Diz-se que os corvos permaneceram de vigia na sepultura até o corpo ter sido transferido para Lisboa, em 1173, por ordem do Rei D. Afonso Henriques. Todavia, o culto e as peregrinações mantiveram-se mesmo depois da trasladação das relíquias, já que D. Afonso III mandou ali estabelecer uma casa de romeiros em 1260; e, em 1316, D. Dinis mandaria edificar um novo convento, que manteve a designação de Convento do Corvo.


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« Última modificação: Dezembro 15, 2010, 19:08:22 por Gens »


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