tonyBaptista
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«« ALDEIA DE IRMãOS »»
Não se encontra documentos que justificam com exactidão qual a proveniência do nome da aldeia. Igualmente, quanto a factos históricos importantes que permitam uma resenha monográfica da povoação, a documentação é parca. No entanto, pertencem a esta povoação très quintas, com suas casas nobres, cujo historial é importante para a monografia de Azeitão . Uma delas, a da Conceção, merece destaque, não só pelo seu património azulejar do seu Solar, como também, pelo interferência directa de seus proprietários em assuntos de capital importncia para o País .
«« A QUINTA DA CONCEIçãO E O SEU SOLAR »»
O Solar da Quinta da Conceição, foi mandado fazer por D. António Cremer no princípio do século XVIII . Este prédio, embora já¡ fora do Termo de Azeitão, pertence historicamente a ele, e como tal, vai aqui ser recordado .
A quinta onde está implantado o Solar, faz parte de um morgado, instituído em 1733 pelo próprio António Cramer e sua mulher D. Catarina Sofia Van Zeller, ao qual englobou, de início a Quinta do Perú, da qual quis formar uma vila, e, mais tarde, ainda, a Quinta da Prata . A este respeito, diz Oliveira Parreira que : "(...) António Cramer foi feito donatário de uma vila que deveria fundar e a que deu princípio no sítio denominado Perú, onde também começou outro palácio, à imitação do de Calhariz . Foi talvez a sua riqueza e a reputação das minas de Potosi, no Perú, que deram nome ao sítio ... "
HISTORIAL
Quem vai de Vila Nogueira para Sesimbra, passados cerca de uma centena de metros, depara-se-lhe uma bifurcação. Tomando o lado direito, caminha-se em direcção aos Canais e à Quinta da Conceição, situada próximo à Vala Real, também conhecida por Ribeira D'El-Rei.
Uma vez mais, recorrendo ao líbelo acusatório a Machado de Faria, verifica-se que, aqui também, o distinto Juiz de Fora, mandou fazer obras que os seus malévolos detractores, lhe apontavam como reprováveis :
Reza assim a acusação : "(...) Mandou fazer mais uma espaçosa ponte, por cima de um ribeiro, chamado dos canais, que seu próprio interesse resulta à quinta da Conceyção ... "
Acontece que este benefício, é posterior à construção do Solar, e não parece que o instituidor necessitasse de favores do erário público, ou que Agostinho Machado de Faria fosse homem para os conceder a quem quer que fosse .
Quanto à edificação da Casa Nobre da Quinta da Conceição, ela foi mandada fazer por António Cremer e sua mulher, cuja súmula biográfica, assim como a intenção da obra, estão gravadas, em latim, numa lápide que se encontra sobre a porta da capela da quinta .
Diz a lápide :
- (Tradução) "A Deus Supremo e também à Puríssima e Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, Erigiram esta capela D. António Cremer, cavaleiro da Ordem de Cristo, almirante, Encarregado de todos os negócios das Províncias Unidas e da Bélgica em Portugal, bem como sua esposa caríssima, D. Catarina Sofia Van Zeller, tanto para satisfazerem a sua própria devoção como a dos vizinhos. Edificaram mais as casas juntas para seu repouso e para proporcionarem uma vida tranquila aos Descendentes que o Altísimo por sua graça lhes venha a conceder e para os quais também plantaram aqui jardim. A Pedra fundamental foi lançada no primeiro dia de Maio de 1715 precizamente no dia em que foi publicado o tratado de paz entre Portugal e Espanha. E no dia 8 de Setembro do mesmo ano com toda a solenidade aqui tiveram lugar os primeiros ofícios religiosos. Aceita Ó Virgem, estes altares que te consagramos e não desprezes, Mãe Clemente esta pequena casa "
António Cramer veio para Portugal no início das hostilidades entre Portugal (aliado com a Austria, Inglaterra e Holanda) contra a Espanha , (aliada à França) por causa de graves discordncias relacionadas com a sucessão do trono de Espanha, vago por morte de Carlos II, o qual não tinha deixado sucessor directo . (este conflito só viria a terminar em 1713, com o Tratado de Ultrecht) .
A sua função em Portugal, em parte já especificada na lápide, supra citada, incubiam-no, ainda, do pagamento às tropas Holandesas. Terminada a guerra, chegava igualmente a seu termo a função. Posteriormente, foi nomeado Comissário Geral dos Almirantados das Províncias Unidas, no Reino e Senhorios de Portugal .
Dom João V, apercebendo-se, durante o periodo de guerra, que a produção de pólvora em Portugal era deficiente e, sabendo o Monarca que António Cramer era um perito excepcional na produção industrial desse explosivo, concedeu-lhe o contrato de exploração e a direcção das fábricas de pólvora. Sob sua administração, procedeu-se, em 1728-29, à reedificação das fábricas de Barcarena e Alcntara e, implantando nelas os mais modernos processos de produção da época. Portugal, finalmente, passaria a dispôr da "melhor pólvora de toda a Europa"
Após a morte de António Cramer, sua mulher, D. Catarina Sofia Van Zeller, continuou a actividade com a mesma eficiência e qualidade que a tinha notabilizado, conforme testemunha o "Relatório sobre a fabricação de pólvora por conta do Estado, e seu comércio", de 1855 .
«« ALDEIA DE IRMãOS »»
«« A CASA NOBRE E SEUS AZULEJOS »»
A habitação é marcada no seu centro por um ligeiro ressalto coroado por uma torre-lanternim de influência holandesa, escolhido, sem dúvida, por António Cramer, por recordação das Províncias Centrais Holandesas, donde era originário. Este lanternim, confere ao edifício uma silhueta invulgar nas construções portuguesas da época, "realçada pela grimpa de ferro com a roda de navalhas, simbólica de Santa Catarina, homónima da proprietária . "
Na entrada, nem sombras de porteiros ou figuras de convite. Os dois molossos instalados sob painéis de azulejos, guardam o Solar de António Cramer, há já vários séculos, "pronunciando" as seguintes palavras tranquilizadoras : "Hostem latrato prode sonoro" - (Denuncio o inimigo com forte latidoo) e "Amice, prensus sun sed periculum offero" - (Amigo, apesar de preso, sou perigoso)
O vestíbulo e os corredores são revestidos a azulejos de figura avulsa, que lembram tambémm os seus congéneres holandeses de Delft , enquanto o salão é decorado com azulejos, representando brasões, provavelmente da família.
Abrindo sobre o terraço, a Capela dedicada à Imaculada Conceição constitui o núcleo do Solar, ao qual deu o seu nome. A nave é decorada de painéis azuis e brancos que ilustram o martírio de Santa Catarina e a vida de Santo António, os santos homónimos dos instituidores .
Em tempos, houve sobre uma porta lateral da casa, o Brasão da família Cramer . Esta pedra d'Armas, era constituído pela heráldica dos Cramer e dos van Zeller .
Aos instituidores do morgado, sucederam na administraço, seu filho Maurício José Cremer Van Zeller e, depois, a filha de Maurício, Sofia Cremer Van Zeller. Esta senhora, não tendo descendência, permitiu a extinção do morgado. Após esta, a quinta foi propriedade, sucessivamente, do Visconde da Lançada, Professor Doutor Manuel Bento de Sousa (o da Quinta das Torres) e Carlos Ribeiro Ferreira, que em 1941, procedeu à reconstrução do edifício, aliás, muito arruinado . Actualmente, a quinta está na posse dos herdeiros .
In " Azeitão Nossa Terra " Padre Manuel Frango de Sousa
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